quarta-feira, 13 de maio de 2009

Cemitério é o local mais visitado pelos gótico


Kássia Macedo

MANAUS - Os góticos preferem andar à noite e costumam se vestir de preto. O cemitério é um dos locais mais visitados por quem segue um estilo de vida considerado diferente. Os adeptos do estilo gótico sempre foram voltados aos movimentos musicais, literários e arquitetônicos. Possuidores de um humor um tanto quanto incompreendido, são chamados de depressivos, por
acharem beleza e graça até nas coisas que, para uma sociedade seriam comuns, eles vêem belos e artísticos.

Uns adotam o preto por gostar da cor, outros gostam apenas de chocar com o impacto visual, isso significa, para a eles, um respeito aos mortos. A maquiagem não é obrigatória, mas é usado para incrementar o visual e manter algo mais depressivo.

Este é o mundo dos góticos, sombrio e languidamente romântico. Uma eterna busca, guiada pela noite e seus mistérios. Porque os góticos gostam tanto de cemitério? Quem vai explicar é a gótica Leilane Albuquerque, de 24 anos, que há 4, faz parte de um grupo de góticos.

Confirma o depoimento dela no vídeo produzido no Cemitério São João Batista, em Manaus.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Família sobrevive com trabalho no Cemitério


Trabalhador tem renda média mensal de R$ 2,2 mil cuidando de sepulturas no São João Batista


Arleiton Bezerra do Vale

MANAUS - Há 18 anos Raimundo Rodrigues Filho (51). Raimundão construtor, como é conhecido, ganha a vida no Cemitério São João Batista, cuidando e construindo túmulos. “Um túmulo com três gavetas custa em média R$ 3 mil, eu dando todo o material e sobram R$ 2 mil de lucro’’, contou.

Com uma renda mensal de R$ 2,2 mil, Raimundo sustenta as quatro pessoas de sua família e, segundo ele, tudo que conseguiu na vida é fruto de seu trabalho no cemitério, além dele, a sua esposa e seu filho Ronaldi, também aderiram à profissão.

A família zela de 62 túmulos contando com mausoléu e capela. O preço varia de acordo com o serviço prestado. Um mausoléu e um túmulo custam algo em torno de R$ 50 por mês, já uma capela sai por R$ 150. Para ajudar na renda, a família juntam cera de vela e vende a R$ 7 a lata. Quando se aproxima o dia dos finados o expediente se estende até à 20 horas.

Raimundão construtor disse que o cemitério é o melhor lugar do mundo. “É calmo e não tem confusão, alguns tempos atrás assaltantes invadiam o cemitério para roubar os visitantes, mas agora está mais seguro, porque quatro seguranças fazem a ronda aqui”, informou.

Histórias de fantasmas
Durante os 18 anos de profissão, ele conta não ter visto uma pobre alma, mas alguns colegas contam histórias mirabolantes do local. “Um amigo meu costumava comprar merenda no comércio ao lado do cemitério e, um dia, a pessoa que o atendeu estava toda de preto. Ele achou estranho e, quando olhou para traz, o homem virou fumaça”, contou, Raimundão que autorizou a divulgação do seu telefone para quem precisar dos seus trabalhos no cemitério São João Batista: 9145-9869.

Maritacas em Novo Airão


Diário de bordo da visita dos acadêmicos do sétimo período noturno, da FBN a cidade de Novo Airão, interior do AM

Kamilla Mendes

NOVO AIRÃO (AM) - Todas as viagens deveriam ter seu diário de bordo, principalmente as feitas com a turma da faculdade. Por se tratar de um momento único, afinal de contas, um ciclo está se fechando em nossas vidas. Esta viajem, da qual vou relatar, tem um gosto especial e, com certeza, marcou a lembranças de todos que se aventuraram nas ruas de Novo Airão.

A manhã de sexta-feira (10/04) foi marcada pelos últimos preparativos.As peças e objetos essenciais estavam na mala desde quinta-feira: gravador, máquina fotográfica, bloco de anotações, canetas, muitas canetas, espírito de aventura e, claro, um biquíni, caso sobrasse tempo para um mergulho, afinal, ninguém é de ferro!Corre, entra no carro. Mas espera, esqueci o dinheiro da passagem.Volta! Enfim. A balsa do São Raimundo e a espera para saber quem realmente vai, pois, todos estão muito acostumados em seus grupinhos e, se imaginar em uma cidade longe, sem nenhum amigo intimo é de matar.

O relógio anuncia 13h, 13h30 e surge a primeira pessoa. Israel bagunçando, pergunta: o que agente vai fazer mesmo, hein? Só ele para quebrar o gelo. Aos poucos os outros vão se juntando e a bagunça começa: de quem é essa mala? Hei! Você pensa que vai passar um mêslá?! Eita que a Charlene já está comendo o quinto peixe nessa hora!Todos vieram. Então, embarquemos rumo a Novo Airão.

Primeiro entrosamento
Na balsa temos o primeiro momento de entrosamento: brincadeiras, fotos, fotos e mais fotos, piadas e um pastor narrando um culto como se fosse jogo de futebol no celular da Kessia. Quando chegamos ao Cacau Pirêra qual a surpresa que nos espera?! Não tem ônibus direto paro o município. Começa-se uma negociação. Quem oferece um ônibus mais rápido e barato para Novo Airão. Enfim, ganhou um ´carinha´ que fez a passagem por R$ 25 cada.

Depois de tamanha barganha, esperamos quase duas horas pelo dito ônibus, mas embarcamos às 15h30, olha só a nossa ´cara´ na foto acima,que demonstra tamanha felicidade pelas horas de espera.Chegamos à cidade por volta de 18h30. Todos cansados, mas ainda eufóricos. Fomos instalados em duas Pousadas: Anavilhanas e Jaú.Depois de instalados, direto para pizzaria, afinal, jornalista com fome não escreve nenhum lead que preste. Sábado às 7h da manhã todo mundo de pé esperando o seu Liciomar na porta da pousada.

Toc-toc-toc. Jonária passando de porta em porta para acordar cada uma de suas ´sete filhas´. O dia de sábado foi cheio. O itinerário contava com os seguintes pontos de entrevista: Fundação Almerinda Malaquias, Centro de Atendimento ao Turista (CAT), restaurante flutuante BotoCor-de-rosa, restaurante flutuante Leão da Amazônia com, a impressionante paeja de Christoffi Guénée (*), depois fomos à casa do prefeito Leosvaldo Roque entrevistar o vereador Jeziel, líder do prefeito. Demos uma pausa para um mergulho estratégico no Mato Grosso, balneário local, fomos visitar o piscicultor local e voltamos para o ônibus.
* pausa para um pequeno comentário: o melhor da viajem talvez tenha sido a visita ao Leão da Amazônia, não pelo bom atendimento, mas pelo passeio de lancha com muita emoção, repetido duas vezes no mesmo dia.

Ressurgindo das cinzas
Neste exato momento, quando todos estavam cansados e decepcionados coma perspectiva de não produzir as matérias para a disciplina de Telejornalismo, eis que pára em nossa frente um táxi. Para nossa surpresa e felicidade geral da nação, surgem ´das cinzas`, os cinegrafistas Danlucio e Josué. E as atividades reiniciam.

O primeiro a gravar a sonora foi o Israel. Não se sabe como, mas ele conseguiu fazer com que todos os mototaxistas se dispusessem a aparecer em sua matéria. Enquanto nosso intrépido repórter tremia em frente às câmeras o resto da equipe sofria dores de parto ao produzir passagem e sonora de suas reportagens.
Seguimos para o Leão da Amazônia onde Estefânia teve oportunidade de entrevistar o senhor Christoffi, proprietário do restaurante. Por falta de iluminação não foi possível fazer minha matéria para TV sobre o turismo com os botos. Corremos para o campo de futebol e, a muito a contragosto, a Charlene fez sua parte.

À noite fomos até a praça para ver se as comemorações da Páscoa rendiam algum material. Se não fosse pela falta de iluminação, algumas matérias muito boas teriam sido produzidas. Bom, mas a noite não foi perdida. As mulheres casadas choraram rios de lágrimas ao falarem com seus esposos por telefone. E os solteiros se divertiram passeando na praça e andando de moto.

Visita a Anavilhanas
Enfim, chegou domingo e toda sua expectativa de visitar o tão falado arquipélago de Anavilhanas. Gravamos minha matéria com os botinhos e, eu repeti exaustivas cinco vezes a mesma pergunta para a sonora. Todos se divertiram alimentando os botos, enquanto eu trabalhava. Participamos e fomos a uma das atrações da páscoa das crianças. Também voltamos a ser criança, cantando e dançando ao som de Balão Mágico.

Em seguida, Embarcamos na lancha de nosso sempre fiel piloto Christoffi Guénée e fomos gravar a reportagem da Kássia. Não sei se foi o nervosismo ou o fato de todos a estarem assistindo, mas ela repetiu mais de cinco vezes, sem exagero. Depois, todos caíram na água, com exceção dos ´pregos´ Kamila e Israel, que não sabem nadar.

A viajem de volta teve um quê de despedida. Enfrentamos Sol e chuva e um eventual banho de urina (risos). Vimos o arco-íris duplicado bem ao nosso lado, mostrando a fidelidade de nosso Deus.

Ficou claro que essa viajem foi um marco.Tivemos a oportunidade de nos conhecer melhor. De desabafar, de resolver rixas e de reclamar um pouco e, também de receber o Israel “chorando” por não querer ficar sozinho no quarto. Criamos vínculos mais fortes de amizades e novos laços fraternos surgiram.

Apesar dos contratempos gerados ainda no município, nos mantivemos unidos e nos divertimos muito - e a pessoa em questão se bateu sozinha.Bom, Novo Airão foi isso, um pouco de tudo. Alegria, euforia, gargalhadas, desabafos, nostalgia. Nostalgia de três anos de convivência diária que está ficando para trás, dia após dia. Nostalgia de amizades que poderiam ter sido firmadas aqui, mas que por orgulho ou falta de tempo não puderam acontecer. Contudo, em nossas lembranças sempre vão estar àqueles três dias de trabalho gratificante e os esforços da nossa professora Jonária, que de tanto reclamar, conseguiu se tornar inesquecível.

domingo, 10 de maio de 2009

Cemitério também é atração turística


Aos 105 anos de existência, o Cemitério São João Batista é uma espécie de ‘arquivo morto’ da história do AM

Adriana Araújo


MANAUS - O Cemitério São João Batista, em Manaus, está deixando de ser apenas um local visitado por pessoas que perderam seus entes queridos, para se tornar uma atração turística. O local faz parte da história da região e tem uma importância cultural e arquitetônica para a cidade.

Inaugurado em 05 de abril de 189, pelo então médico Aprígio Martins de Menezes, sepultado no dia 19 do mesmo mês, a necrópole começa a funcionar e torna-se um campo “santo” para algumas famílias.

Em 1905, o superintendente municipal Adolpho Lisboa mandou construir um muro de alvenaria, um gradil e portões de ferro fundido, fabricados em Glasgow, na Escócia, e uma “Capela de Styllo” no lugar de um antigo necrotério. A obra transformou o cemitério em um autêntico lugar de descanso eterno.

No local estão sepultados pessoas importantes da política, das artes e também da cultura amazonense, além das esculturas que permitem identificar as épocas. Entre os nomes que marcaram a história do Amazonas estão: Homero de Miranda Leão, poeta, escritor e também político; Eduardo Gonçalves Ribeiro o “pensador”, como era conhecido o ex- governador do Amazonas do período áureo da borracha e, mais recente, o Senador do Estado, Jefferson Peres.

Viagem no tempo
A visita ao São João Batista, permite viajar no tempo e conhecer mais da história do Amazonas. Entre os túmulos mais visitados está o de “Santa Etelvina”. Nascida no Ceará, a santa de devoção popular, veio para Manaus com o pai na época da extração da borracha. Segundo os mais antigos, ela foi assassinada e esquartejada por um homem, por não ter feito sexo com ele, em seguida, esse homem cometeu suicídio. Um jazido com uma escultura foi construído em homenagem a “santa”, que não é canonizada pela Igreja Católica.

Segundo Raimunda Felix, acadêmica do 7º período de jornalismo da Faculdade Boas Novas (FBN), visitar o cemitério é como visitar um museu. “É impressionante a diversidade de esculturas e estatuetas que encontramos no local, uma mais bem esculpida que a outra. Isso sem levar em consideração as celebridades que estão sepultadas no local, as nos permite conhecer um pouco mais da história”, afirmou.

Revitalização
Recentemente o cemitério passou por um processo de revitalização e reforma organizada pela Prefeitura de Manaus. As obras de recuperação foram desde a restauração dos dois portões de ferro, passando pelas grades que servem de muro, até a reforma da capela do cemitério.

Com 105 anos de existência o Cemitério São João Batista faz parte do patrimônio histórico de Manaus, além de ser corredor cultural com direito a visitas de turistas e estudantes.

De acordo com Arleilton do Vale, que também é acadêmico do 7º período de jornalismo da FBN, é possível encontrar beleza em coisas que passam despercebidas. “Lá podemos encontrar uma lápide, um túmulo, mas principalmente, arte, beleza e história”, declarou.

Balcao de empregos à serviço da comunidade


Projeto desenvolvido pela Associação para o Desenvolvimento Integrado Sustentável (Adeis) funciona em comunidades periféricas de Manaus


Rangel Pessoa


MANAUS - Os moradores dos bairros da Zona Leste da cidade
encontraram uma alternativa para conseguir emprego para a mão-de-obra ativa da comunidade. Eles criaram um programa denominado Balcão de Emprego, que tem como principal objetivo, incluir no mercado de trabalho formal e informal, moradores desempregados.

Desenvolvido pela Associação para o Desenvolvimento Integrado Sustentável (Adeis), o programa atua há seis anos e atendeu aproximadamente 1,4 mil pessoas. A associação possui três sedes na capital, Mauazinho II, João Paulo II e Grande Vitória, todos na Zona Leste.

O programa surgiu da necessidade de os comunitários espantarem o “fantasma” do desemprego. O grande benefício é que muitas vezes o comunitário não tem o dinheiro para comprar o jornal, ele vai até os centros comunitários e ver as vagas disponibilizadas em jornais, internet e nas empresas parceiras em torno do bairro a comunidade e de outras áreas.

Agentes
A Adeis possui pessoas treinadas para desenvolver atividades no balcão: os Agentes de Orientação Profissional - AOP’s. Eles são responsáveis para atender os comunitários. Nesse processo, os agentes cadastram o perfil de cada um, como se fosse um tipo de Recursos Humanos (RH) comunitário. Uma vez que, o comunitário for é inserido no mercado de trabalho, ele passa por um processo de acompanhamento, que vai de três meses a um ano.

Segundo a diretora e responsável pela Adeis Débora Galli, os Centros Comunitários servem de apoio, onde a população tem a oportunidade de encontrar o tão sonhado emprego. Ela enfatiza que o isso é para as pessoas da comunidade e o serviço é de graça. “Na maioria das vezes, o comunitário não tem informações sobre o mercado de trabalho e seus recursos financeiros são escassos, outros não têm nenhum tipo de recurso”, contou.

Beneficiado
Um dos beneficiados do programa foi o operador de máquinas Cledson Lima Vasconcelos (27). Desempregado há duas semanas, ele se dirigiu em uma das sedes comunitárias e conseguiu um emprego. “Eu pensava que ia ficar muito tempo desempregado, por causa dessa crise. Mas, um amigo meu falou do banco de emprego, eu fui até lá e graças a Deus estou trabalhando”, disse Vasconcelos.

O balcão de emprego possui o Serviço de Orientação ao Trabalho (SOT), onde são abordados conteúdos importantes, ministrados através das oficinas de língua portuguesa, conhecimentos gerais, como elaborar um currículum e dicas de como se apresentar em uma entrevista. Cada uma, de acordo com as vagas ofertadas.
O balcão de emprego faz parte de um programa mais amplo, desenvolvido pela Adeis. Atualmente a associação precisa de voluntários, doações (livros, roupas, brinquedos, financeira) e parcerias diversas.

Para contribuir contacte o centro comunitário Movimento Comunitário, no bairro Mauazinho II, Rua Panorama, 76, através do telefone (92) 3618-1019. Há tambpem o Conselho Comunitário do João Paolo II, localizano na Rua Jucá, 9, no bairro João Paulo II. O Centro Comunitário da Adeis fica na Rua Ariaú, 42, bairro Grande Vitória, telefone (92) 3248-5657.

Numismática com exposição permanente

Arleilton Bezerra do Vale

MANAUS - Com a reabertura do Palacete Provincial, em 15 de março deste ano, o Museu da Numismática Bernardo Ramos, que antes funcionava de forma tímida no Palácio Rio Negro, na Avenida 7 de Setembro, Centro, agora ocupa duas salas do prédio com exposição permanente.

O acervo atrai centenas de pessoas diariamente para visitar as moedas antigas e minúsculas barras de ouro da época dos escravos. Os produtos têm chamado atenção dos visitantes. O local possui 17,3 mil peças acondicionadas em 74 vitrines, além de moedas e condecorações Nacional e Internacional.
O museu também tem sido procurado por estudantes para a elaboração de trabalhos acadêmicos. Segundo a estagiária Izinha Toscano, 280 estagiários de cursos diferentes trabalham como guia no local.

Alguns acervos foram adquiridos pelo governo do Amazonas outros, foram doados. Situado no Palacete Provincial, na Praça Helioodoro Balbi, o Museu da Numismática está aberto de terça-feira a sexta-feira, das 9h às 17h. Nos finais de semana, das 10h às 19h, aos sábados e aos domingos, das 16h às 21h.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Vantangens em trabalhar no cemitério

Com mais de 105 anos de funcionamento, o Cemitério São João Batista é um local de mistérios e curiosidades que fascinam os trabalhadores.

Altimar Nascimento

MANAUS - Para alguns o cemitério é um lugar diferente onde os mortos repousam. Outros o consideram sombrio e amedrontador. Mas não é desta forma que os trabalhadores do Cemitério João Batista, localizado no bairro Boulevard Álvaro Maia, Zona Centro-Sul, enxergam o lugar. Para eles este é um emprego como outro qualquer.

O jardineiro, Jardesson Nunes (25), considera seu trabalho “uma atividade tão digna quanto outra função”. Entre suas obrigações estão incluídos a manutenção dos jardins e limpeza dos túmulos. Embora considere a função normal, Nunes comenta que nunca imaginou trabalhar no cemitério. “É diferente da visão que eu tinha, até agora não escutei nenhuma voz do além”, comentou.

Casado e com um filho para sustentar Jardesson Nunes não pensou duas vezes, aceitou o emprego. Para o jardineiro essa função chegou ao momento certo. “Eu acho que esse é um trabalho normal. Não acredito em espíritos, só em Deus”, confessou.

Zelador do ambiente há 22 anos, Raimundo Maurício (46), dedicou boa parte de sua vida ao cemitério. Maurício já limpou sepulturas e fez a poda das árvores. Um trabalhador “polivalente da manutenção”, como ele se define. Raimundo Maurício também diz que ainda não viu nada de sobrenatural. “Nunca vi não fantasmas os vigias que trabalham à noite dizem que já viram coisas diferentes”, revelou.

Antes de se acostumar ao trabalho no cemitério, o zelador era uma pessoa supersticiosa e, demorou algum tempo para se adaptar ao novo local de trabalho, no ano de 1987. “Eu chegava a casa e não dormia à noite. Passou um tempo para eu me costumar. Uns três ou quatro meses. Agora isso é coisa do passado”, contou.

Logística
O Cemitério São João Batista conta com dez funcionários, que fazem a manutenção diária. Além deles, segundo Lenai Couto França, do setor administrativo, existe ainda o pessoal terceirizado. A Prefeitura abre concessões de terra às famílias, em troca, elas cuidam da manutenção das sepulturas, capelas, jazigos e outros. “Existe outro tipo de terceirizado, que são os construtores. Eles trabalham com projetos, são cadastrados na Prefeitura, mas não são funcionários. À noite o cemitério conta com seis vigias”, explicou Lenai Couto.

Atualmente, a administração conta ainda com apoio dos guardas municipais, que três vezes, durante o dia, fazem patrulhamento. Antes disso, muita gente invadia o cemitério para fazer vandalismos. Hoje ainda ocorrem alguns casos, porém, os guardas inibem as ações. “Eles pulam o muro e vem fumar droga nas últimas quadras. Os guardas vêm e os levam para a delegacia”, informou.

rante o ano o cemitério passa por uma limpeza geral, com a manutenção própria e reforços de mais de 60 homens. Tudo em regime de mutirão, mas a falta de conscientização das pessoas que visitam o lugar ainda é um problema.

Só é sepultado no São João Batista quem tem jazigos de parentes ou pessoas próximas com concessões no cemitério. O custo para abrir uma sepultura é R$71,18 mais uma taxa de R$16,00. O pagamento é feito através dos Correios.

domingo, 3 de maio de 2009

Artesanato de Novo Airão recebe prêmio do Sebrae


O artesanato da Fundação Malaquias, de Novo Airão, conquistou o mundo e está entre as cem melhores do Brasil

Kessia Cristina Cabral Fonseca

NOVO AIRÃO (AM) - O artesanato de Novo Airão caiu no gosto do estrangeiro. O município já exporta produtos confeccionados manualmente para países como Suíça, França e Estados Unidos e já começa a colher o reconhecimento do trabalho. Recentemente a Fundação Almerinda Malaquias – uma espécie de escola de artesanato – conquistou o prêmio Sebrae Top 100, que premia as melhores produtoras de artesanato do território nacional. O troféu é motivo de orgulho entre os moradores.

De acordo com o presidente da Jean Daniel Vallotton o prêmio da Fundação foi por meio do projeto Nova Arte, que ensina os artesãos a trabalhar com os materiais disponíveis na natureza, transformando-os em produtos ‘tipo exportação’.

Exportação
O município é conhecido mundialmente pela produção e exportação de artesanato confeccionado a partir de resíduos de madeira das serrarias, estaleiros navais e de restos abandonadas pelos madeiros nos ramais espalhados na cidade. Os responsáveis pelo desenvolvimento econômico da região já vêem o artesanato como pólo econômico sustentável em Novo Airão.

“É um desafio encontrar alternativas de geração de renda para os 14.630 habitantes porque o município está localizado em uma área onde a política de uso de recursos naturais é restrita e regularmente fiscalizada pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis). É preciso saber usar com responsabilidade nossa matéria-prima”, afirmou Vallotton.

Novo Airão possui área de preservação ambiental como Parque Nacional do Jaú, a Estação Ecológica de Anavilhanas, Parques Estaduais e a reserva indígena de Waimiri Atroari.

Educação
O sueco Daniel Vallotton está há 26 anos em Novo Airão. O trabalho dele a frente da Fundação Malaquias, segundo reforçou, é a busca de soluções econômicas, sócias e ambientas nas margens do Rio Negro, além de promover educação e programas de capacitação profissional com foco no empreendorismo.

Na Fundação são desenvolvidos programas como Ateliê das Crianças, Pro-Futuro e
Escola Silvestre, onde os participantes aprendem como produzir peças artesanais, sustentabilidade, postura adequada para cuidar do patrimônio natural, econômico e social, bem como os valores humanos e a relação do homem e a natureza.
A Nova Arte é a associação criada pela Fundação Malaquias. Ela é formada por 50 artesãos autônomos, todos formados nos programas de capacitação. O projeto recebe apoio da Fundação, que organiza vários cursos específicos para aperfeiçoar a qualidade e a produtividade dos artesãos.

Prêmio Top 100 do Sebrae
O prêmio tem como objetivo reconhecer e valorizar o trabalho realizado por artesãos de todo o País, selecionando as 100 unidades produtivas mais competitivas do Brasil. Estética, arte e cultura são importantes para a confecção de peças artesanais, porém, o que diferencia o Top 100 de Artesanato da maioria dos prêmios é o fato da avaliação ir além destes requisitos e levar em conta processos produtivos com foco no mercado. São avaliados 11 quesitos, entre eles, o grau de inovação dos produtos, adequação econômica dos produtos, adequação ergonômica dos postos de trabalho, adequação ambiental; a eficiência produtiva e adequação cultural.

Palacete Provincial custou R$ 6,5 mi

O investimento restaurou a memória histórica de Manaus

Kessia Cristina Cabral Fonseca

MANAUS - Todas as manhãs o cidadão amazonense que reside ou trabalha nas proximidades da Praça da Polícia, no Centro de Manaus, tem o privilégio de ouvir a banda da Policia Militar (PM) tocar a alvorada anunciando um novo dia e ver o corpo de agrupamento militar se preparar para erguer as bandeiras do Município, do Estado e da Nação. Tudo isso porque um investimento da ordem de R$ 5,6 milhões foi destinado à revitalização do antigo prédio onde funcionava o quartel general da PM, hoje transformado em Palacete Provincial.

A idealização, prevista no projeto Belle Epoque (reconstrução dos monumentos históricos da cidade de Manaus), foi uma iniciativa do governo do Estado, em parceria com a Prefeitura de Manaus. O resultado é uma vasta obra que afirma a identidade cultural do povo amazonense.
Com o Palacete Provincial, as Praças Roosevelt, Gonçalves Dias e Heliodoro Balbi, que compõem o complexo da Praça da Polícia, se tornaram mais que um atrativo turístico. O local se transformou em um cenário vivo de uma história contada por meio de objetos e materiais expostos. Eles remetem à memória cultural da sociedade amazonense.

No prédio estão diversas coleções de peças pertencentes ao acervo do Estado, com destaque para o Museu da Numismática (coleções de moedas) e o acervo do Museu da Imagem e do Som, composto por 450 peças entre vídeos, fotos, slides, CDs e DVDs, que contam a história do Amazonas e estarão à disposição para consulta dos usuários. Existe ainda o ateliê de restauro de obras de arte e de papel, réplicas das maiores esculturas do Mundo (adquiridas no Museu do Louvre, na França). A história da PM também é contada, o resgate histórico é feito com a exposição de roupas, armamentos e documentos da corporação, no Museu Tiradentes, que abriga ainda o Gabinete do Comandante.

O curioso é que o visitante pode ouvir os tiros disparados pelas armas expostas por meio de fones de ouvido, ou conhecer uma cela onde eram mantidos os prisioneiros, preservada em suas condições originais.

Uma viagem pelo Palácio Provincial

O Palacete foi construído em 1867 para ser sede do Tesouro Provinciano

Marinho Ramos

MANAUS - O antigo quartel da policia Militar do Estado do Amazonas está de “cara nova”. Construído em 1867 - quando o Amazonas ainda era uma Província - para ser a sede do Tesouro Provinciano, o prédio faz parte do complexo arquitetônico, que engloba o Colégio Dom Pedro II (Estadual). Localizado em frente Praças Heliodoro Balbi, Ruswelton e Gonçalves Dias, o local já foi sede de várias repartições pública, entre elas, o Liceu de Arte, Biblioteca Pública, Assembleia Provinciana, Escola Normal Superior e Comando da Polícia Militar por duas vezes.

A reforma teve início em 2005, e só foi reinaugurada em 25 de março de 2009. Hoje abriga três museus: o Tiradentes, o Numismática, e da Imagem e do Som (MISAM). A obra é parte do projeto de revitalização do patrimônio público, de iniciativa do governo do Estado.

Uma visita ao palácio é fazer uma viagem no tempo, onde o visitante pode conhecer das artes medievais a contemporânea, das histórias da humanidade do Brasil a do Amazonas. A recepção é feita por uma equipe de guias treinados para explicar qualquer indagação do visitante.

Ao entrar na Pinacoteca, de estilo contemporâneo, o primeiro contato que se tem é com o expressionismo realçado pelo tema principal: a luz. Logo na entrada, o visitante dá de frente com o quadro do último baile na Ilha Funchal (), em preto e branco. A obra é um pouco confuso porque as pessoas não estão muito nítidas, o que dá uma sensação de algo obscura. O artista expressa seus sentimentos na incerteza da passagem do quadro, que destaca a passagem política da Monarquia para a República. Aos poucos pelos corredores, o visitante entrando no mundo das artes.

No museu da Imagem e do Som um pouco da história de Silvino Santos, o pioneiro do cinema no Amazonas. O cineasta português chegou a Manaus ainda criança e é considerado um dos primeiros a trabalhar com a sétima arte no Brasil.
No museu Tiradentes o contato é com as histórias do Amazonas e da Policia Militar. É possível conhecer os armamentos usados na Guerra de Canudos, na Bahia.

O estudo das tribos indígenas que habitavam e habitam as regiões do Amazonas, também está disponível no museu da antropologia. O local mostra a cultura indígena com seus rituais fúnebres e suas urnas funerárias.
O passeio termina no Museu de Numismática, que possui um acervo de 18 mil moedas, das quais apenas oito mil estão expostas para o público por falta de espaço. Quem visita o local conhece a história das civilizações desde o ano 238 a.C. até o Contemporâneo.

Segundo informações da administração do museu, determinadas civilizações, como a grega, já usavam uma tecnologia avançada para fabricar suas moedas. O passeio pelo museu da Numismática encerra com a apresentação do Sistema Monetário Brasileiro, que vai do período Imperial ao atual Sistema Político Republicano.